Alimentar a alma

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Claro que uso aqui uma linguagem figurada. Não falo da alma espiritual. Falo da alma filosófica. Essa alma oferta o fundamento da vida. Precisamos alimentá-la. Isso é o que permite o nosso existir. Nesse duro ano de 2020, isso se tornou mais real ainda. Pelo menos, para mim, é realidade pura. Escrevendo sobre isso, lembro-me dos sobreviventes dos Andes, que, após a queda do avião, sobreviveram 72 dias em meio ao frio, à fome e à morte. Eles alimentaram a alma. Eles buscaram algum sentido para viver quando a imensidão solitária e branca da neve teimava em tirar todo o sentido. Num dos livros que contam suas histórias (A Sociedade da Neve), todos os 16 sobreviventes falam, do seu jeito, uma coisa semelhante: “toda pessoa terá uma ou mais cordilheiras na sua vida”. Ou seja, todos nós passaremos por dores, tão doídas, que elas se assemelharão à Cordilheira dos Andes dos sobreviventes do voo Força Aérea Uruguaia 571. Nessa pandemia, eu percebo que, de alguma forma, todos nós estamos num tipo de cordilheira. Para alguns, ela é mais insólita. Já, para outros, ela é menos insólita. Mas, ao final, todos nós estamos sofrendo. Todos nós estamos chorando e com medo.

E o que devemos fazer, então?

Acredito que precisamos alimentar a alma. Eis o alimento: afastar-se de pessoas egoístas. Cortar relações com pessoas sem empatia, pois, sem empatia, não há como sobreviver. Amar cada vez mais seus amores, pois só o amor será capaz de redimir tudo. Valorizar as verdadeiras amizades, pois não há nada mais belo do que a amizade. Sonhar que ainda temos um propósito nesse plano e que precisamos fazer valer.

Que possamos alimentar nossa alma…

(*) Foto de uma bela viagem em família (o alimento da minha alma) em 2019

Régis Barros