A realidade se impõe

realidade

Muitas vezes tentamos negá-la. Outras vezes buscamos escondê-la. Em determinados momentos, queremos nos esquivar. Contudo, não tem jeito, pois, quando a realidade se mostra aos olhos daqueles que a negava, há uma imposição dos fatos e, a partir de então, deveremos lidar com eles.

A realidade pode machucar tremendamente, sobretudo se não quisermos nos preparar para ela. Infelizmente, a vida pode nos pregar peças e nos machucar inesperadamente. No entanto, muitos dos fatos reais da nossa realidade são antigos e acabam se perpetuando no decorrer do tempo. Independente de ser denominada, por alguns, como condicionamento e, por outros, como neurose, a verdade é uma só: a realidade pode nos incomodar como agulha que penetra na carne. O motivo para isto é simples: não há possibilidades de negociar com a realidade.

Sempre que ela se mostra e evidencia a sua cara, a verdade e o real se destacam. As cartas são colocadas sobre a mesa e o jogo da vida será jogado e orquestrado com elas. Você não poderá blefar com a realidade. Ao permanecer imposta, ela não aceitará que nós, protagonistas do nosso viver, tenhamos atitudes sorrateiras de nos escamotear. Sem embustes e sem esconderijos, estaremos expostos e precisaremos olhar frontalmente para os nossos problemas, atitudes e escolhas. Eis o complicador! Não é incomum alguém permanecer, durante toda a sua existência, distante de tais questões. Então, de forma meteórica, a percepção dos fatos e a evidência da angústia se materializam e, consequentemente, nós poderemos ficar atônitos frente a tais desnudamentos.

Diante dela, você compreende, mesmo a contragosto, que não haverá escapatória. Ou você se motiva para enfrentar aquilo que foi desnudo ou você sucumbirá frente à concretude da realidade. Embora cause transtorno, poderemos aproveitar muito esta exposição ao real, pois teremos a oportunidade de nos modificar. Se tivermos a maturidade de entender os porquês do processo prévio de negação e esquiva, poderemos construir novos parâmetros de funcionamento para a nossa vida. Em outras palavras, evoluiríamos. Mas, para isto, é preciso uma adição do “perceber”, “querer” e “permitir”. Certamente, se estes verbos forem executados por nós durante a dor produzida pela realidade, poderemos ser outra pessoa.

Se a realidade incomoda, a sua negação causa doença. O adoecer do não ser – não “ser” protagonista, não “ser” razoável, não “ser” responsável, não “ser” coerente e o não “ser” você mesmo. Se não encararmos a realidade, viveremos uma vida fake e desprovida de essência, visto que, o essencial é produto do real e daquilo que construímos.

Então, não é preciso temer ou fugir da realidade. Deixe que ela aconteça. Prepare-se, pois ela baterá na sua porta. Aceite-a e entenda que é possível trabalhar as conseqüências impostas por ela. De fato, viver é isto – aproveitar o mundo e a vida apesar das dores latejantes provocadas por eles.

Régis Eric Maia Barros