A Nossa Matrix

pilua azul e vermelha

Quem assistiu a trilogia Matrix, certamente, lembrará que a primeira questão reflexiva era – o que é a Matrix? Uma trilogia carregada de recorrentes construções e referências filosóficas sobre o demiurgo, o ser, o conhecer e o existir.

Dentre as diversas reflexões filosóficas dessa obra, salientarei, aqui, uma delas – a nossa postura de se esconder dentro da ignorância do “destino”. Por isso, ressalto essa fala reflexiva, que aparece no primeiro diálogo entre Neo e Morpheus: “não acredito em destino. Porque não gosto da idéia de não poder controlar minha vida”. Perfeito e verdadeiro. As referências Socráticas e de Platão permeiam essa construção filosófica do filme, pois, se ficarmos presos aos desígnios do destino, nós não protagonizaremos nossa vida. Seremos os habitantes da Caverna de Platão e pairaremos na ignorância tão combatida por Sócrates. A vida perde o sentido se não houver um refletir, um conhecer, um pensar e um mudar.

A nossa Matrix poderá, sim, ter semelhanças com a Matrix do filme, pois, usando a dualidade metafísica de Platão, perceberemos que, muitas vezes, escolhemos a ignorância. Até por que o ato de ser ignorante trará uma falsa proteção registrada noutra frase do filme – “a ignorância é uma benção”. E nesse contexto, se tivermos uma humanidade ignorante, teremos uma Matrix estabelecida. Seremos prisioneiros e nos acorrentaremos na escuridão inerte da Caverna.

Em face disso, é preciso sempre questionar e filosofar sobre o que é nos mostrado, falado e afirmado. A verdade pode ser escondida pela tentativa de nos manter ignorantes. Como o Neo (personagem principal de Matrix), nós deveremos, em algum momento da nossa vida, escolher entre a pílula azul (ignorância e escuridão da caverna) e a pílula vermelha (verdade e liberdade). A escolha será nossa e para ela o Grande Morpheus, assim, responderá: “tudo que ofereço é a verdade. Nada mais”.

Régis Eric Maia Barros