A jornada psiquiátrica desse psiquiatra

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Tem dia que massacra. Não sei como suporto. São tantas dores de todas as cores que nem sei por onde começar. Soluços, choros, suspiros, olhares e gestos. Muitas são as comunicações não verbais que, às vezes, comunicam mais do que a fala até por que costumamos não falar das dores. Contudo, elas são muito presentes no nosso viver. Elas são bem prevalentes no meu cotidiano. Usando uma linguagem de luta, costumo afirmar que tenho que aprender a me esquivar delas. Em alguns momentos, eu consigo, mas, em outros, não. Elas são tão poderosas que costumam machucar além daqueles que as sentem e que clamam por ajuda. Por conseguinte, elas também me machucam. É impossível fazer uma boa psiquiatria sem sair um pouco machucado. A dor emocional dos que sofrem abre feridas profundas na estrutura psicológica do verdadeiro psiquiatra – aquele que de fato investe e se preocupa com o outro. Em face disso, existem dias em que minha energia fica dissipada. Neles, minha mente e meu corpo dão sinais de esgotamento. Mesmo assim, a missão continuará e no outro dia procuro ficar apto para novos encontros com a dor. Assim, sigo a vida e mantenho a tarefa de ser psiquiatra. Certamente, minha família recarrega minhas energias. Ela me ancora quando fico à deriva em decorrência dos ventos revoltos da dor humana. A imagem abaixo prova essa minha tese. Amanhã, será um novo dia e continuarei a luta e o meu propósito…

 

Régis Eric Maia Barros