A inércia de querer mudar

existencialismo

Sartre apontou de forma interessante sobre o existencialismo tocando na angústia do existir humano. Enfim, a falta de sentido na vida nos faz ficar angustiados e ansiosos. Para aqueles em que tais eventos são mais profundos, a ansiedade e a angústia quase sempre são constantes. Consequentemente, a vida se torna um pesar e um martírio rotineiro. A incapacidade de se perceber e se auto-conhecer impossibilita a ação de mudança. Até por que, a percepção de liberdade machuca. Em outras palavras, as nossas feridas são construídas e mantidas por nós mesmos. Isto faz doer sem igual, pois, a despeito da dor, teimamos em não mudar. Por isto, o status quo emocional é mantido e não é incomum assistirmos a manutenção de casamentos infelizes, trabalhos desgastantes e vidas sem graças. A existência aparecendo antes da essência, ou seja, a essência da vida provém do nosso existir e das nossas construções. Enfim, algo que pode ser definido como: o homem é um “ser para si”. Há sempre a liberdade e o arbítrio de caminhar diferente, contudo o homem teme esta liberdade e se angustia com ela e com as possibilidades dela. A suposta nova escolha responsabilizará e trará novas cobranças e, muitas vezes, não se deseja encarar tudo isto. Desse modo, é comum manter aquele formato de vida ou aquele funcionar danoso e maldoso consigo. Se o homem escolheu não mudar, possivelmente, ele manteve o seu condicionamento funcional, conquanto haverá um custo. Ele pagará pela esquiva da liberdade. A angústia baterá na sua porta e a ansiedade cutucará a sua vida. Em face disto, muitas situações poderão aparecer na vida dele e, infelizmente, ele poderá até não suportar a própria vida. A inércia transforma o homem, simbolicamente, num objeto que não escolhe por si, ou seja, ele deixa de representar um “ser para si” e passa a viver como “um ser em si” e sem perspectivas. Em outras palavras, ele deixa de ser vívido, pulsante e repleto de possibilidades para ser algo inanimado. Este homem continuará a vida conformado e sofrendo. Este homem será infeliz e deixará de querer ser algo melhor. Ele viverá sem defender o que ele próprio, de fato, quer. Este homem será coaptado a caminhar sobre os passos alheios. Portanto, o enredo da sua vida poderá não ser definido por si mesmo. Enfim, querer ter uma existência diferenciada e destacada será uma mera ilusão quando deveria ser o normal a ser buscado por todos. Este homem descrito acima é uma exceção ou é um ser bem comum? Espero que você não seja um exemplar dele.

Régis Eric Maia Barros