A história pode se repetir?

Alguns desavisados e outros maldosos e outros inconsequentes propagam que o militarismo e que um governo militar seria a solução para a histórica crise ética e moral que assola o Brasil. Crise esta que está incrustada na administração pública. Crise esta que transcende legendas políticas. Crise esta que alimenta e contra-alimenta a política e o modo de fazer política no Brasil. Crise esta que destrói a confiança e que gera uma sensação de impotência sem igual. Crise esta que alimenta posturas aproveitadoras e messiânicas de “falsos líderes”. Crise esta que estimula a auto-afirmação dos supostos “defensores do bem” de que eles são “homens bons”.

Uma crise sem igual e que nos atormenta…

O Brasil sangra…

E neste sangramento, o perigo bate na porta. O vídeo abaixo exemplifica o perigo e serve para confrontar com força todos aqueles que julgam que a veia militar é o caminho da salvação. No vídeo destacado, foi o palhaço que foi preso. Ele foi preso no picadeiro da rua. Ele foi preso numa apresentação teatral para crianças. Ele foi preso por criticar a PM e o Governo do Estado do Paraná.

Ele foi preso pelo Batalhão de Choque. Ele é um subversivo. Ele é perigoso. Ele faz mal e propaga o mal. Ele é um mau exemplo. Ele é um palhaço que falou o que pensa. Se é certo ou errado o que ele falou, eu não sei, contudo ele é um risco e foi preso. Ele foi colocado no camburão. Ele foi algemado. Possivelmente, longe das câmeras e da população, que apreciava o espetáculo, ele levou uns safanões. Possivelmente, longe dos populares, que se colocaram contra esta arbitrariedade, ele foi agredido moralmente e, quiça, fisicamente.

Neste exemplo, foi o palhaço de peças infantis que foi preso. Mas poderão ser outros. Poderá ser eu ou você. Basta quebrarmos a ordem e a moral aos olhos de quem tem o poder de prisão. Basta sermos julgados subversivos e perigosos. Basta isto…

Lamento que desconhecidos possam apoiar e estimular regimes militares. Entristeço-me em perceber que colegas ou amigos pensem neles como solução. Com todo respeito aos militares, eu Régis Barros, um ex-militar do Exército Brasileiro, não desejo que vocês sejam governantes. Desejo que suas outras importantes funções sociais e públicas sejam mantidas, todavia a sua função não é tomar o poder e governar.

Um risco batendo na porta. O uso, por muitos, do discurso de “clamor nacional” para a salvação. Para muitos políticos, a possibilidade de um novo projeto político tangenciando à Constituição Federal e a história democrática. A história querendo se repetir e nós esquecendo de lembrá-la.

Lamento pelo palhaço de rua e temo que sejamos percebidos, em algum momento dessa nova história, como perigosos tal qual o palhaço foi.

Um abraço reflexivo

Régis Barros