A falsa fé

A falsa fé

Começo esse curto artigo citando Hebreus 11:1 – “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Desse modo, subtende-se que a fé nunca poderá ser algo midiático, visto que, ela acontece em essência. A fé ancora em si mais do que o ato de acreditar, pois, com ela, nada é impossível e inalcançável. A fé é soberana tal qual o existir. Sem fé, perde-se o porquê de caminhar. Mesmo os que não crêem, tem uma árdua fé na não crença e, portanto, a outros valores. Diante disso, a fé necessita de respeito. A fé não é material e nunca poderá ser comprada. Não se deveria usar da fé para jocosidades e interesses meramente particulares. Fazer uso da fé para tais objetivos é covarde e promíscuo. Fingir fé é mais cruel ainda por representar um ataque à pureza característica do ato de ter fé. Infelizmente, isso virou moda e os políticos brasileiros, cretinamente, fazem disso uma regra. Querendo angariar simpatia, eles forçam a barra com a tentativa de artificializar a fé. Logo ela, incapaz de ser algo artificial. A fé é interna e de cada um. Ela sempre é verdadeira e nunca poderá ser um escambo interesseiro. Todavia, o sorriso aproveitador daqueles que mostram uma falsa fé evidenciam os seus reais objetivos. Puro interesse! O uso da fé e a presença de agentes e sacerdotes desvirtuados nesse propósito confirmam a gula e a ganância daqueles que atacam a fé. Ela é intrínseca e real. A fé não é uma aquarela para colorir. Embora possamos nos reunir com os outros numa forma de fortalecê-la, ela é um fenômeno individual e, portanto, vivido por cada um de nós. Por isso, alguns têm muita fé e outros não sabem nem o significado dela. Mesmo assim, é indiscutível que ela não deveria, em hipótese alguma, ser usada para interesses alheios ao acreditar no bem divino maior. Desse modo, o que opera no financeiro, ideológico e político não poderia ser protagonista na provação e demonstração da fé. Essa fé vinculada a esses operadores é um mero embuste com uma falsidade ontológica surreal. A conclusão é uma só: ridículos são aqueles que se aproveitam da demonstração de uma falsa fé. Eles são capazes de tudo e podem atingir todos até por que, ao atingir a fé, eles atacaram a essência divina máxima independente dos credos. Em meio ao uso deturpado da fé, finalizo, de forma emblemática esse curto artigo, citando São Tomás de Aquino – “Para aqueles que têm fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível”.

Régis Eric Maia Barros