A falência de tudo…

Saques ES

O Espírito Santo não é uma exceção na realidade brasileira. Ele representa sem tirar nem pôr a realidade do país. Uma corja de corruptos à frente da máquina pública e a sociedade representada, salvo as exceções, por um povo alheio às principais demandas sociais e políticas do país. Um cenário desolador capaz de criar uma desesperança perturbadora. Em meio ao caos no Espírito Santo e mais especificamente na Grande Vitória, eu vi imagens de saques, vandalismo e de rompantes de diversos comportamentos pouco éticos os quais se propagaram pela falta de segurança pública. Mesmo que, também, representassem comportamentos questionáveis do ponto de vista ético, eu não vi nenhuma cena com as seguintes imagens:
• Jovens invadindo livrarias e saqueando livros;
• Pessoas aglutinadas em bibliotecas roubando conhecimento;
• Aglomerados de baderneiros discutindo a situação política que assola o Brasil;
• O coletivo de pessoas protegendo os transportes públicos já que a “coisa” pública é de todos e, portanto, também deles;
• Os delinqüentes entendendo que, se eles agirem de forma desviante, os políticos e gestores públicos poderão também desviar, pois não haverá moral para cobrar deles;
• A sociedade civil cobrando do gestor público e o responsabilizando pelo caos estrutural que antecedeu ao caos pós-greve.
Infelizmente, nada disso aconteceu. Nenhuma cena descrita acima se apresentou. Tornou-se, inclusive, jocosa essa minha provocação. Essa é a novela atual do Brasil. Esse é o episódio pelo qual passa o nosso povo e o nosso coletivo pensante. Não estamos “nem aí”. É um verdadeiro cada um por si e salvem-se quem puder! Não percebemos aquilo que salta aos olhos e teimamos em não enxergar. Não há Estado e o pior de tudo é constatar que não há, também, uma sociedade e um povo capaz de lutar, cobrar e se empoderar. Aquelas manifestações de rua foram puro fake. Hoje, temos a clareza de como os manifestantes foram úteis para os projetos pútridos do atual governo. Na verdade, perdemos a narrativa da nossa história. Consequentemente, nós alimentaremos a nossa estória. Que se mostra folclórica, tristonha e algo demente. Caminhamos para falência e nem concordata iremos pedir.

Régis Eric Maia Barros