A dualidade do verbo ter

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Que verbo interessante. Ele é imperativo e forte, mas, ao mesmo tempo, dúbio. Partindo-se dele é complicado, inclusive, definir posses e o que é realmente ter. Por exemplo, muitos têm muito, mas acabam não tendo nada, enquanto outros têm praticamente nada, mas acabam tendo muito. Confuso e estranho, porém possível de entender. Nessa ciranda das palavras, aparece uma dúvida socrática – o que precisamos, de fato, ter?

Geralmente, o verbo ter vincula posses materiais, todavia nada material será capaz de sobrepujar o ter espiritual e emocional. Ter o material nem sempre trará a paz e a felicidade. E o que vale na vida é isso. Uma ataraxia constante e plena. Um desejo de equilíbrio. Então, eu posso não ter riquezas concretas, mas posso, sim, ter muita felicidade. O contrário também se aplica, ou seja, muitos podem ter fortunas e carecer das energias boas que, realmente, dão sentido a vida. O ter material traz superficialidades e prazeres com reforços positivos. E o ter emocional permite a riqueza maior da vida – o desejo de viver.

O conforto psicológico é um termo que costumo utilizar para a organização do sentido da vida. Sem ele, trombamos e derrapamos em seqüência e, conseqüentemente, acabamos por nos machucar. A ausência desse conforto nos cobrará em algum momento da nossa vida. Nada material é capaz de trazer esse conforto. Na verdade, aqueles que acreditam que o material o traz estão, somente, inebriados com a possibilidade da pertença desses recursos. O material se liquefaz por inúmeros motivos. E, se você estiver preso nele, o sofrimento será angustiante, visto que, você concluirá que, mesmo “tendo de tudo”, não se tinha nada.

Queira ter afetos. Queira ter amigos. Queira ter sonhos e desejos. Queira ter amor e paz. Queira ter beijos e abraços. Queira ter histórias para contar. Queira errar e aprender. Queira ser feliz. Faça isso! Faça logo! O caminho é esse. O verdadeiro ter está nisso. Esse será o seu grande patrimônio. Desse modo, se você for rico de dinheiro, também será rico no que importa na vida. E o mais importante é que se você for pobre de dinheiro, você será bem rico no que importa nessa vida.

Régis Eric Maia Barros