A diferença no tratamento

ciencia e caridade

 

Certa vez um paciente, já sabendo o que iria responder, perguntou-me: “doutor, você sabe o que faz a diferença no tratamento?”. O número amplo de respostas impossibilitou-me responder com certeza. Lembro que falei da efetividade do tratamento. Ele balançou a cabeça de forma negativa com um sorriso descolado na sua face. A reposta, para ele, era outra. Ele, primeiramente, me elogiou e, antes de explicá-la, afirmou que eu aplicava esse diferencial. Assim, ele discorreu:

 

“doutor, a diferença está no interesse. É fácil notar aqueles que, realmente, estão interessados em nos escutar e ajudar. Sentimos, sim, o interesse do médico para a nossa dor. É possível perceber se somos, somente, mais um naquela rotina extenuante ou se somos alguém que mereceu carinho e respeito. A efetividade é importante, mas, muitas vezes, eu acredito que existam doenças difíceis de tratar e muitas que nem cura tem. Curar não depende exclusivamente do médico, mas o interesse dele para aquele que padece de um sofrimento deveria ser obrigatório. Sem esse interesse, não faz sentido tratar. Essa relação humana demanda de interesse e, portanto, de envolvimento. Se eu fosse, aqui, um número ou mais um “pobre paciente”, nada funcionaria. Há médicos que se apaixonam pelos “poderes” das pílulas e dos procedimentos. O real “poder” da medicina não está nisso. O médico que hipertrofiar essa percepção unilateral não conseguirá ser médico. Aqui, foi diferente, porque, desde o início, o interesse prevaleceu e o cuidado e o cuidar nasceram como conseqüência disso. Se sentir respeitado pelo interesse sincero de quem se propõe cuidar de você, é a chave para melhora. Então, meu querido doutor é o interesse que faz a diferença em qualquer tratamento”.

 

Eu me senti honrado com aquela fala. Passei a refletir com cuidado e cheguei à conclusão de que ele está absolutamente certo. O interesse permite o vínculo e fortalece a relação entre médico e paciente. A partir dessa relação, o tratamento caminhará. Sem interesse, não haverá nada dessa cadeia e, portanto, não haverá sucesso no tratamento.

Régis Eric Maia Barros