Uma das experiências mais intensas na minha vida de psiquiatra é a possibilidade de escutar as expressões vívidas dos pacientes ao descreverem como se sentem ou como sentem a dor que os assolam.
Lembro-me de um paciente gravemente deprimido que, ao ser questionado por mim como ele se sentia, assim, me respondeu:
“Sinto-me rasgado e apartado. Há uma inflamação dentro de mim”.
Meses depois, com a melhora, tornei a fazer a mesma pergunta. Assim, foi a resposta:
“Sinto-me reeditado e respirando”
As expressões pessoais de cada um são extremamente capazes de expressar tudo em pouquíssimas palavras. A vivência da dor comunica muito mais do que a necessidade de textualizá-la num discurso longo e circunstancial.
Enfim, a dor comunica em demasia.
Régis Barros
