Costumo de dizer que toda consulta em psiquiatria é uma avalanche de sensações, percepções, sentimentos e vivências.
Hoje, atendi uma paciente muito deprimida. Uma depressão grave e forte. Uma força composta das dores mais dolorosas que se pode ter. Dói na alma!
Eis que essa foi a sua queixa principal: “Minha mente está na penumbra“!
Simbólico e vivencial!
Foi uma consulta longa, mas, mesmo assim, tive a sensação de que eu precisava falar mais. Falar muito mais!
Um retorno já acontecerá nesses próximos dias, todavia, ao final da consulta, fiz essa pequena poesia para ela.
Mostrarei para ela na próxima consulta
Porém, antes disso, gostaria de compartilhar com vocês
Uma mente na penumbra
O amanhecer dói
Um ardor que corrói
Noites em claro
Badaladas do relógio
A incerteza
Viver, um produto caro
Escasso e raro
Nessa mente em crepúsculo
Tristeza dando as cartas
Angústia que maltrata
Assim, ela está
Deprimida e afetada
Aquela mente enfadada
Vontade de desistir!
Não faça isso
Dias melhores hão de vir
Cores maiores a aparecer
Pegue na minha mão
Eu e você
Não tema
Caminharemos juntos
Se você se perder
Eu guio
Se você chorar
Eu escuto
Se você gritar
Eu abraço
Se quiser correr
Correremos
Você e eu
Eu e você
A estrada está pedregosa
Mesmo assim, continue
Faremos os devidos reparos
Juntos!
Serei seu anteparo
O nebuloso vai passar
O sol a raiar
Perceberá que foi um momento
Em penumbra, sim
Olhe para mim!
Não desistiremos
Fortes, seremos
Até o fim
Ao final, os olhos mostrarão
Passou
No final, o coração baterá
Findou
Depois, perceberemos
Que nossa vida
Triunfou
Régis Eric Maia Barros
