O paciente;
Tem dores maldizentes;
Olhando para nós, psiquiatras;
Chorando;
Esta dor que me mata;
Um cancro inconsequente;
Tira de mim;
Basta;
Arranje um fim;
Não a agüento;
Uma agonia que ressente;
É insuportável algo assim;
O psiquiatra sente;
Não é fácil;
Lidar com o onipresente;
Um estopim;
A angústia indócil;
Não permite o ócio;
Afim do difícil;
Sensações de desespero;
A fim de machucar;
Não adianta se esquivar;
O psiquiatra sente;
A impotência presente;
A tristeza nada atraente;
A vida atacada;
Freneticamente;
A busca do livramento;
Uma luta;
Para eliminar o tormento;
Da alma e da mente;
O psiquiatra sente;
Forças de onde não tem;
Investimentos que mantêm;
A esperança;
Haverá à hora da bonança;
Ao final, só restará lembranças;
Voltaremos a sorrir;
Da mesma forma que as crianças;
Que olham com a vida com pureza;
Sem espaços para as incertezas;
Sempre que isto acontece;
O psiquiatra sente;
Que a missão foi cumprida.
Régis Eric Maia Barros
